segunda-feira, 30 de agosto de 2010

eu vou tirar você desse lugar.

16 anos. O barulho da música a invadia por completo, as notas altas faziam sua cabeça balançar. Mais um gole de álcool. Estava frio do lado de fora, mas ela não se importava. Ascendeu um cigarro. Tentou se convencer de que era só disso que precisava. Só disso. Não precisava que seu dia desse certo, afinal, era só mais um dia como todos os outros. Uma lágrima rolou, e ela se perguntou qual dos motivos a havia feito chorar. Talvez fosse o fato de que seus melhores amigos não haviam comparecido a festa. Ou talvez de seu ex futuro namorado ter beijado sua ex futura melhor amiga. Ou até fosse pelo pequeno desprazer de não saber o que queria, que tanto a magoava.
Não conseguia evitar as lágrimas de rolarem soltas por seu rosto. Mais um gole de álcool, mais uma tragada no cigarro. Mais uma lágrima derramada. Suspirou, e sentiu uma mão tocar sua cintura. Não precisava se virar pra ver quem era, conhecia aquele toque. Pegou sua mão e ficaram assim, abraçados de lado, em silêncio, até as lágrimas se esgotarem, até a garrafa se esvaziar e o cigarro apagar.
- Por quê? - Foi a pergunta dele.
Ela suspirou mais uma vez e despejou as palavras sobre ele.
- Porque hoje era pra ser o melhor dia da minha vida. Era pra tudo ter dado certo, não era? Só terei dezesseis anos uma vez na vida, certo? Eu não quero ter que viver a adolescência dos meus filhos porque a minha não deu certo. As pessoas que eu mais queria comigo agora estão distantes, a pessoa que estaria comigo está lá dentro com outra. - Mais lágrimas.
- É tudo por causa dele, não é?
- Tudo não. Mas está doendo. Está doendo porque eu me decepcionei comigo mesma por ter acreditado nele, me magoei por ele ter me enganado outra vez, era pra ser a nossa noite. Ele mesmo disse. Você é a única coisa que eu tenho, meu único amigo de verdade que veio. Está tudo errado hoje!
- Posso errar mais um pouco? - A voz dele soou divertida. Ela se virou para ele sem entender.
- Como?
E ele a beijou. Um beijo inesperado, inimaginado, calmo, verdadeiro. O beijo pelo qual ela esperara a noite toda, sem saber. Um beijo que ela sonhara a vida toda em receber. As mãos dele na cintura dela. As mãos dela o abraçando. E ela finalmente se sentiu completa. - Assim. - ele sorriu um pouco, apreensivo.
- Na verdade, - ela sorriu - essa foi a única coisa certa que aconteceu hoje.

domingo, 29 de agosto de 2010

saudades de mim

você foi embora e agora só restam as lembranças dos beijos, as vozes e os sorrisos.
o que me conforta é a noite de ontem, escorrendo pelo meu nariz.
cada fungada me lembrando que eu preciso ser forte, até o amanhecer.